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Dos que foram aos que ficam

 

A americana Jill Brooke, em seu livro Dont’ Let Death Ruin Your Life (Não deixe a morte arruinar a sua vida) relata uma longa pesquisa histórica e descobriu que muitos personagens que hoje são lembrados como líderes, vencedores, revolucionários e inovadores tiveram em comum o fato de enfrentar a morte de um ou dos dois pais na infância. “Reagir com bravura diante do inevitável é um traço de caráter muito interessante. Para muitas personalidades pode ter sido essa a alavanca que as impulsionou em busca da glória e das grandes realizações”, diz Brooke. Ela encontrou esse tipo de atitude em personagens que vão do conquistador macedônio Alexandre, o Grande (356-323 aC) ao ex-beatle Paul McCartney. E em guerreiros como Napoleão Bonaparte e na primeira dama dominadora Eva Perón.
A autora concluiu que nem sempre essas experiências são prejudiciais na infância, ao contrário. “A capacidade de tolerância e resistência dessas crianças órfãs é enorme e suas perspectivas de vida tendem a ser mais amplas que as das pessoas que nunca passaram por dores ou tristezas profundas”.
Uma pesquisa da universidade Columbia sugere que as crianças que passaram pelo trauma da morte de parentes próximos podem ser classificadas em dois grupos. No primeiro, ficam as que realmente se vergam ao peso da dor. Elas se entregam. Suas frágeis estruturas emocionais são destruídas pela fatalidade e elas nunca se tornam adultos normais. Num segundo grupo estão aquelas que a experiência da morte a seu redor imuniza para as dificuldades da vida, tornando-as mais equipadas para perseguir objetivos extraordinários, para o bem ou para o mal. Brooke lembra que os ditadores Adolf Hitler, Josef Stalin ou o sérvio Slobodan Milosevic, que tiveram pai e mãe suicidas, foram órfãos que poderiam ser classificados num terceiro grupo – dos que se deixaram consumir pela amargura da perda e, por isso, tornaram-se frios e indiferentes ao sofrimento dos outros. “Não podemos generalizar, mas experiências padrão na infância geram um tipo de comportamento futuro que podemos agora começar a entender”, diz ela.
Uma das conseqüências mais comuns para essas crianças é o fato de desenvolverem mais aguçadamente do que outras o raciocínio abstrato.
Abstraindo o ambiente social e o período histórico dos personagens cuja biografia estudou, Jill Brooke encontrou em diversos artistas órfãos a mesma obsessão pelo ente querido perdido. Quando a mãe de Paul McCartney morreu, o pai deu-lhe um violão para tentar aliviar seu sofrimento. Mais tarde ele compôs a famosa canção Let it Be, em que a mãe é personagem sempre presente lhe trazendo proteção e sabedoria. No caso de John Lennon, que também perdeu a mãe muito cedo, as letras de suas músicas foram chamuscadas pela raiva e revolta pelo isolamento.
São inúmeros os fatores que definem se uma experiência traumática de morte na família vai formar ou deformar a personalidade da criança.
A morte dos pais é algo doloroso, mas o suicídio de um parente jovem ou a perda de um filho são considerados em todos os círculos as formas mais agonizantes e debilitantes de luto.
Além de violar a ordem natural das coisas, a perda de um filho costuma aumentar o atrito entre os casais, culminando, muitas vezes, em divórcio. Isso porque homens e mulheres vivenciam o luto de forma diferente. As mulheres fazem suas amizades mais baseadas na emoção. Já os homens tendem a se agrupar em torno de atividades comuns, como os esportes. Na explicação da autora, os homens compartilham menos seus sentimentos, são mais racionais. Por isso, Têm maior dificuldade de lidar com a agonia da perda de um filho. Esse comportamento pode levar a mulher a achar que o marido não está sofrendo tanto quanto ela. “É vital que o casal lembre que está no mesmo barco. Mesmo que os dois estejam remando em velocidades diferentes, ambos devem remar na mesma direção”, aconselha Brooke 

 


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