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O luto: um diálogo não permitido

 

Maria Cristina Mariante Guarnieri “Diz-se que a experiência do luto nos humaniza. Isso é verdade, ela deita-nos abaixo do nosso pedestal narcísico. Machuca-nos, humilha-nos, lembra que não somos onipotentes, que tudo passa, que tudo muda, que nem sempre teremos ao nosso lado aquele que amamos. E toda essa dor do luto, contra qual nos defendemos de todas as maneiras possíveis, acaba por abrir um espaço dentro de nós. Um espaço de pobreza e de fecundidade. Um espaço para amar”. (1) 
 
O luto para Morin (2) é uma forma de expressar uma inadaptação individual à morte, mas também uma forma do social adaptar a morte com o intuito de aliviar o sofrimento do indivíduo, um sofrimento ao reconhecer no outro um cadáver que apodrece. A transitoriedade da vida torna-se concreta, assustadora e de tal “impureza” que é necessário que uma quarentena seja estabelecida com o objetivo de proteção. 
 
O psiquiatra britânico Colin M. Parkes que, desde 1950, se dedica a estudar o tema luto, afirma que: “O luto não é o conjunto de sintomas que começam após uma perda e, então, gradualmente desaparecem. Envolve uma sucessão de quadros clínicos que se mesclam e se repõem uns aos outros.” (3) 
 
Bromberg (4) afirma que o luto só existe quando um vínculo é rompido. Para fundamentar esta afirmação, a psicóloga cita os estudos de Bowlby que demonstram que o vínculo tem valor de sobrevivência para as espécies e o luto seria uma resposta à separação. O sofrimento seria uma reação universal à separação de uma figura de vínculo. O processo de luto é, então, uma forma de ansiedade de separação. 
 
Socialmente, o luto sinaliza que a pessoa está vivendo em um estado fora do normal, fora do cotidiano esperado, em uma sensação de ruptura que nos é trazida pela morte. Os ritos fúnebres são considerados ritos de passagem, são necessários para auxiliar na localização da morte e na integração simbólica deste acontecimento em nossa vida cotidiana. Todo o ritual tem essa função e auxilia o enlutado a elaborar as emoções experimentadas frente à morte do outro. 
 
O luto é uma forma de viver a morte em vida, de constatar o limite humano. No luto, a morte torna-se presente e real, partilhamos com outros o fim de um semelhante e toda a emoção que o fato desperta no humano. Mas partilhamos, também, a realidade da vida com outros, estabelecemos vínculos que possibilitam o conhecimento entre as pessoas. 
 
I.2.1 Do que falam os ritos 
 
“Um mito é uma história que geralmente acompanha um rito. O rito com freqüência reitera um ato em que o mito se baseia.” (5) 
 
O preparo do defunto na hora da morte nos conta muito da pessoa em si e também de seus costumes, crenças e modos de vida. Na verdade, de toda a sociedade em que ela está inserida. Através dos cultos aos mortos observamos a cultura de um povo. O luto é uma forma de manifestação da tristeza sentida pela morte. Kovács (6) cita em seu livro que o uso do preto data do paganismo e era uma maneira de expressar medo e de enganar o demônio que buscava outras almas, pois este se confundiria e não reconheceria o vivo. Algumas culturas utilizavam maquiagem branca na face auxiliando esta caracterização. A autora lembra que o preto é o símbolo da noite e da ausência de cor, expressando o abandono e a tristeza, assim como uma forma de resguardar a paz e a serenidade interior dos que estavam sofrendo com a perda. Em outras culturas encontraremos o uso de outras cores. 
 
No Brasil, os ritos de luto, segundo Reis (7), ditavam que o nome do defunto não devia ser pronunciado, nem mesmo pela viúva, que devia se referir a ele como “meu defunto”, pois temia-se que pronunciando seu nome este pudesse voltar. Ao sair o enterro, tudo que se refira ao morto deveria ser destruído ou jogado fora e diferentes atitudes deveriam ser tomadas, como: mudar a casa; fechar portas e janelas e varrer no sentido da frente da casa. Estes gestos expressavam a crença que os mortos poderiam voltar e permanecer com os vivos. Os vivos também mudavam todo o vestuário para a fase de luto, o guarda-roupa deveria ser preto, tanto as vestes como os acessórios. A percussão de sinos era também uma expressão muito comum e importante dos ritos funerários; o seu som marcava uma mudança temporal irreversível entre vida e morte e servia também para lembrar a presença da morte e de estarmos atento aos nossos pecados. 
 
Os funerais brasileiros eram verdadeiras festas, nos quais toda pompa servia para expressar um feliz destino que era imaginado para o morto, mas para os vivos não deixava de ser uma forma de trabalhar com sua angústia, o medo e a dor que esta traz. Reis define muito bem esta questão na frase: “Morte é desordem e, por mais esperada e até desejada que seja, representa ruptura com o cotidiano.” (8) Acrescenta, ainda, que a festa tem este mesmo atributo. Contudo, em ambas a ordem é resgatada ao seu final. Na morte, este resgate se dá através do espetáculo fúnebre, ajudando os vivos a reconstruir a vida sem o morto. Todo o rito serve mais para auxiliar o vivo, ajudando este com a dor e, assim, juntos, os vivos resgatam o equilíbrio perdido com a morte e atestam a continuidade da vida. 
 
Ainda hoje, em algumas cidades do interior do Brasil, é possível encontrar ritos fúnebres, bastante elaborados e próximos do descrito acima. Mas, na maioria das cidades, inclusive nos grandes centros urbanos, há muito os ritos vêm se simplificando e perdendo o sentido que, anteriormente, assegurava para o indivíduo um parâmetro para a elaboração de suas emoções, advindas do contato com a perda e a morte. 
 
A falta de ritos e de preparo para a morte, juntamente com o fato desta ser ignorada pela comunidade, resultaram em um aumento da solidão e do isolamento. Negando a morte, negamos a existência, isto é, estamos condenados a uma morte social que decreta que nosso ente querido, além de morto deve ser esquecido; o que provavelmente acontecerá, também, após a nossa própria morte. 
 
I.3.2 O luto sem voz 
 
“O tabu da morte é um tabu da intimidade... E é essa interioridade que nossa sociedade evita e dissimula tanto quanto pode.” (9) 
 
Vivemos sob este luto que não deve e não pode ser expresso. Nas grandes cidades, tornou-se difícil perceber sinais de luto e para o enlutado somente é permitido a reação de dor inicial, pois reconhece-se o aspecto terrível da morte. No entanto, logo exige-se uma reação do indivíduo e se este não o faz, é condenado a uma quarentena interminável, isto é, o enlutado acaba por ficar só com a sua dor, entendendo-se fraco e doente por não conseguir superar a perda. 
 
A psicologia tem buscado diferenciar o chamado luto normal do luto patológico. As diferenças entre eles têm sido muito, freqüentemente, motivo de discussões. Muitos autores têm dificuldade em discriminar o momento que poderíamos considerar patológica a depressão causada por uma perda. O meio social auxilia neste processo, pois não aceita a expressão da dor com naturalidade e tende a excluir o enlutado, ou mesmo, a fazer exigência quanto às atitudes de reação contra a tristeza. Estabelece-se que o diálogo não será permitido; o enlutado deve ficar só com a sua dor. 
 
O fato é que, ao negarmos a morte e não havendo espaço para o enlutado chorar sua dor, a patologia no luto vem crescendo. Parkes apresenta com muita clareza o momento em que o luto começa a ser visto como doença e, para tal, compara-o uma ferida física que precisa se cuidados: 
 
“A perda pode ser vista como ‘um choque’. Assim como no caso do machucado físico, o ‘ferimento’ aos poucos se cura. Ocasionalmente, porém, pode ocorrer complicações, a cura é mais lenta ou um outro ferimento se abre naquele que estava quase curado. Nesses casos surgem as condições anormais, que podem ser ainda mais complicadas com o aparecimento de outros tipos de doenças. Muitas vezes parece que o resultado será fatal.” (10) 
 
A psicóloga Maria Helena Bromberg, observa: 
 
“Luto é uma ferida que precisa atenção para ser curada. Este processo de cura é basicamente composto por duas mudanças psicológicas a serem realizadas durante o processo de luto. A primeira é reconhecer e aceitar a verdade: a morte ocorreu e a relação agora está acabada. A segunda é experimentar e lidar com todas as emoções e problemas que a perda cria para o enlutado. Estas mudanças se mesclam e levam tempo.” (11) 
 
O luto pode ser considerado como um estresse, conceito cuja definição é tão complexa como o próprio luto. As conseqüências fisiológicas e psíquicas, como forte emoção, estado de alerta, inquietude, tensão, pânico, crises de ansiedades, são sintomas encontrados tanto em um como no outro. Parkes, ao pensar no estresse experimentado no luto, apresenta-o como uma situação de crise, entendida como: 
 
“(...) situações importantes de estresse na vida, de duração limitada, que colocam em risco a saúde mental. Essas crises alteram os modos habituais de comportamento das pessoas envolvidas, alteram circunstâncias e planos, e levam a necessidade de um trabalho psicológico que requer tempo e energia. Oferecem ao indivíduo a oportunidade e a obrigação de abandonar velhas concepções sobre o mundo e, assim, descobrir novas. Constituem, portanto, um desafio.” (12) Esse desafio pede o abandono do velho para abrir espaço para a chegada do novo. O sofrimento convida o enlutado a entrar em um processo de transformação e criação. Isto é possível porque é no momento de crise que mobilizamos energia psíquica e, desta forma, possibilitamos a manifestação do inconsciente. É o momento que a experiência da perda provoca no indivíduo uma desorganização interna, suscitando diferentes emoções e também no externo, onde, com a ausência do outro, provoca inevitáveis transformações no cotidiano. 
 
No momento de crise surgem imagens, que, segundo a psicologia analítica, podem servir como apoio na reestruturação do enlutado. A vivência do limite nos obriga a dialogar com o inconsciente, o que proporciona uma sida criativa para a crise. Na elaboração do luto, atentos à força simbólica da perda, podemos aproveitar a oportunidade de enterrar (ou deixar morrer) os velhos hábitos, possibilitando o surgimento de um novo Eu. 
 
I.2.3 escutando o enlutado: fases do luto 
 
‘Com certeza aprender a viver é aprender a amar e, portanto, aprender a perder. (...) Aprender a amar é aceitar nosso limites, assumir nossa impotência e somente estar presente na aceitação do desenrolar das coisas, do que é. A vida é essa aprendizagem: a aceitação do real.” (13) 
 
Aceitar o real nem sempre é fácil, principalmente quando a realidade pede que se aceite a perda daquele que amamos. Em um processo complexo, o luto pede esta aceitação da realidade para viabilizar sua elaboração, resignificando o conceito de amor. Uma intensa jornada se inicia, é necessário o desapego daquele que a morte retirou do convívio. Parkes (14) define como traços característicos dos processos de luto a procura, o alívio, a raiva e a culpa. 
 
A procura 
 
O traço mais característico do luto são os episódios agudos de dor, com muita ansiedade. Para Parkes, esta dor provoca a urgência em procurar o objeto perdido, como um chamado, que é expresso na maioria das vezes pelo ato de chorar. A procura, mesmo quando há a consciência de que é uma procura sem sentido, pois o outro está morto, é um impulso forte após uma perda. E acrescenta: 
 
“Os que procuram têm em sua mente um retrato do objeto perdido. À medida que se aproximam de um possível local para encontrar, as sensações advindas desse local combinam-se com o retrato. Quando se ajustam, mesmo que só por aproximação, o objeto visto é ‘reconhecido’, a atenção é colocada nele, e maiores evidências são buscadas para confirmar a impressão inicial.” (15) 
 
E como componentes desta procura, Parkes define sete tipos de comportamento: 
 
1. alarme, tensão e estado de vigília 2. movimentação inquieta 3. preocupação com pensamentos sobre a pessoa perdida 4. desenvolvimento de um conjunto perceptivo para aquela pessoa 5. perda de interesse na aparência pessoal e em outros assuntos que ocupariam sua atenção 6. direção da atenção para aquelas partes do ambiente nas quais a pessoa perdida poderia estar 7. chamar pela pessoa perdida 
 
No comportamento de procura é importante ressaltar a clareza na percepção e como é forte a imagem do morto na mente do enlutado. Estas imagens são tão nítidas que, embora sejam consideradas reações normais de luto, é necessário muitas vezes assegurar ao indivíduo que ele está dentro de uma normalidade. 
 
Na procura são evocados os comportamentos de apego, mas também os hábitos cotidianos, aqueles comportamentos do dia-a-dia que existiam a partir da relação como, por exemplo: arrumar a mesa para dois, ou mesmo atividades que eram feitas em conjunto com o falecido. 
 
O alívio 
 
A procura continua intensa mesmo que tenha resultados frustrantes. Neste momento, a dor é intensa e, compensatoriamente, são evocados mecanismos de defesa. A sensação ou a impressão de que a pessoa perdida está por perto, é reconfortante para o enlutado e costuma ocorrer muito durante o processo de luto. Mas, logo a realidade se faz presente e o comportamento de procura continua. Neste sentido, procurar e encontrar andam juntos, não simultaneamente, mas alternadamente. 
 
Outra forma de alívio da dor do luto é a descrença do ocorrido, não acreditando que a morte aconteceu de fato. Esta negação da morte é muito comum logo após a perda e neste momento recebe o nome de entorpecimento, sendo que este é normalmente considerado como a primeira fase do luto. Em geral, este entorpecimento só tem fim com a visão do corpo ou algo que concretize a morte ocorrida. 
 
Evitar pensar na perda também é uma forma de amenizar a dor vivenciada. É uma defesa, como todas as outras citadas acima, mas defesas importantes, pois a negação da perda oferece a oportunidade de se preparar para ela, com todas as transformações que serão necessárias para a passagem do processo. 
 
Raiva e culpa 
 
A raiva é uma reação encontrada no processo de luto que varia muito de pessoa para pessoa. Na verdade o que mais é encontrado é uma irritação generalizada e amargura, como os comportamentos encontrados em situação de estresse. É como se o enlutado estivesse reagindo a uma situação de perigo iminente que, na verdade, é o perigo da perda de si mesmo, que poderá ocorrer se for real a perda do outro. A inevitabilidade da morte carrega a inevitabilidade de continuar a vida sem o outro e o enlutado vive em uma situação limiar, que é uma fase de transição onde, no final, ele precisará se reconhecer vivo sem o outro a quem estava vinculado. 
 
A culpa surge porque a morte, em nosso entendimento inconsciente, só pode ser causada e a reação natural é que busquemos um responsável pelo sofrimento e que, portanto, será o culpado. O enlutado culpa a si mesmo, ao morto, ao médico; a variação é imensa de pessoa para pessoa e do momento do luto que está sendo vivido. 
 
A morte é um fato importante e para o qual não temos controle, somos impotentes frente à ela e, portanto, é natural que busquemos um sentido ou, até mesmo, uma explicação para o seu acontecimento. Buscar um culpado, acusar-se a si mesmo, brigar com Deus ou com o destino são formas de retomar um mínimo de controle na situação. A partir destes traços característicos, e baseado no trabalho da psicóloga Maria Helena Bromberg (16), podemos definir as seguintes fases que devem ser consideradas como referências na compreensão de um luto normal. A inibição, o adiamento, o retardamento em uma destas fases pode sugerir uma possível complicação na evolução adequada do processo. 
 
a) A primeira fase caracteriza-se pelo choque entorpecimento e descrença, pode durar poucas horas ou dias e pode ser interrompida por crises de raiva e desespero. O enlutado se sente perdido, desamparado, atordoado, imobilizado. Há uma resistência aceitar a perda, como uma defesa psíquica frente à perda e uma tentativa de continuar a viver como antes. 
 
b) Anseio e protesto é uma fase com emoções fortes, com muito sofrimento psicológico e agitação física que surgem a partir do desenvolvimento da consciência da perda. Anseio em reencontrar a pessoa morta, com crises de profunda dor e de choro. Tudo aquilo que não tiver relação com o morto tem pouca importância. É o momento em que aparece a raiva e a culpa. 
 
c) Com a passagem do primeiro ano de luto, o enlutado deixa de procurar pela pessoa perdida e reconhece a imutabilidade da perda. Esta é a fase do desespero, mais difícil que as anteriores, pois a crença é que nada vale a pena, surge a apatia e a depressão e a superação é lenta e dolorosa. É comum o afastamento das pessoas e a falta de interesse e concentração nas mais diversas atividades. 
 
d) Recuperação e restituição. É o momento em que começam a surgir sentimentos mais positivos, inicia-se uma aceitação de mudanças em si mesmo e na situação, com maior facilidade e eficácia em lidar com o novo. Uma pessoa renovada que permite a si mesmo desistir da procura da pessoa morta. É o retorno da independência e da iniciativa. É comum a chamada “reação de aniversário”, que é o reavivamento dos sintomas nas datas significativas, como aniversários de nascimento, morte, casamento. 
Bromberg (17) acrescenta que a base do trabalho de elaboração de luto está na necessidade de, simultaneamente, desligar-se do objeto perdido e manter internalizados seus traços, isto visto do processo pessoal. É muito ameaçador a tentativa dos familiares de resolver o luto pelo “esquecimento do morto”. O enlutado, no início do processo de luto, precisa manter viva a imagem do morto, pois o esquecimento, segundo a autora, tem o significado de esvaziamento antes dele estar apto a estabelecer novas relações. 
 
Várias pesquisas demonstram um alto índice de mortalidade em pessoas enlutadas. O número maior parece ocorrer nos primeiros seis meses após a perda diminuindo, gradualmente, depois deste período. Os problemas cardíacos são os que lideram a causa de morte, seguido por cirrose de fígado, doenças infecciosas, acidentes e suicídio. Estes dados são trabalhados por Parkes a partir da análise de diversas pesquisas. Comenta que é impossível afirmar que estas doenças tenham como causa o luto, uma vez que podem fazer parte da história do enlutado e terem sido potencializadas com a vivência da Perda. Sobre estes dados, o autor conclui: 
 
“Acredito que podemos afirmar, com adequação, que muitos viúvos e viúvas buscam ajuda durante os meses após a morte do cônjuge e que os profissionais mais procurados por eles são da área média e religiosa. Aceito a evidência de que o luto pode afetar a saúde física, mas parece-me que a maior parte das queixas que leva as pessoas aos médicos reflete ansiedade e tensão, mais do que doença orgânica. Nesses casos, o papel mais importante para o médico é o de reassegurar às pessoas que elas não estão doentes, em vez de rotulá-las como doentes.” (18) 
 
Resumindo, podemos compreender o luto como um processo de reações frente à perda de uma figura de vínculo. A reação à perda é tão inevitável quanto a morte. Ao negarmos a morte, negamos também todos os sinais de sofrimento e dor que esta acarreta: negamos o luto. Na realidade, negamos a possibilidade desse luto se manifestar, levando o enlutado a estranhar seus sentimentos. O enlutado acredita-se doente por não perceber que o luto é uma reação natural à perda. Dar voz ao luto é possibilitar o enfrentamento da morte,abrindo um espaço para dialogar com a dor, com o sofrimento, integrar a perda, dar uma novo sentido à vida. 
 
Determinantes do luto 
 
Antecedentes 
 
Relação com o morto: parentesco, força do apego, segurança do apego, grau de confiança, envolvimento e intensidade da ambivalência (amor e ódio). Experiências na infância (especialmente maternagem insegura e perda de pessoas significativas) Experiências posteriores (especialmente perdas de pessoas significativas) Histórico de doenças mental Histórico de crises 
 
Tipos de morte: prematura, morte múltiplas, avisos anteriores a perda, preparação para o luto, morte violentas ou horrendas, lutos não autorizados, mortes que geram culpa. 
 
Simultâneos 
 
Gênero Idade Personalidade: tendência ao pesar, inibição de sentimentos, dependência, ambivalência e auto-estima 
 
Status socioeconômico Nacionalidade Religião (crenças e rituais) Fatores culturais e familiares influindo na expressão de pesar 
 
Posteriores 
 
Apoio social ou isolamento Estresses secundários Oportunidades emergentes (abertura de opções) 
 
Bibliografia (1) Hennezel, Marie de; Leloup, Jean-yves: A arte de morrer: tradições religiosa e humanista diante da morte na atualidade, Rio de Janeiro, Vozes, 1999, p. 68. (2) Cf. Morin, Edgard, O homem e a morte, Lisboa, Publicações Europa América, 1970. (3) Parkes, Colin M., Luto: estudos sobre a perda na vida adulta, São Paulo, Summus, 1998, p. 28. (4) Cf. Bromberg, Maria Helena, Luto como crise familiar: uma abordagem terapêutica e preventiva, Tese de Doutorado em Psicologia Clínica, PUC/SP, 1992. (5) Gaarder,Jostein, Hellem, Victor, Notaker, Heenry, O livro das religiões, São Paulo, Cia. Das Letras, 2000, p. 19. (6) Cf. Kovács, Maria Júlia (org.), Atitudes diante da morte, visão histórica, social e cultural, In: Morte e desenvolvimento humano, São Paulo, Casa do Psicólogo, 1992, p. 34. (7) Cf. Reis, João José, A morte é uma festa, São Paulo, Cia. Das Letras, 1991, p. 132. (8) Ibid., p. 138 (9) Hennezel, Marie de; Leloup, Jean-Yves, A arte de morrer: tradições religiosa e humanista diante da morte na atualidade, Rio de Janeiro, Vozes, 1999, p. 45. (10) Parkes, Colin M., Luto: estudos sobre a perda na vida adulta, São Paulo, Summus, 1998, p. 22. (11) Bromberg, Maria Helena, Luto como crise familiar: uma abordagem terapêutica e preventiva, Tese de Doutorado em Psicologia Clinica, PUC/SP, 1992, p. 7 (12) Parkes, Colin M., Luto: estudos sobre a perda na vida adulta, São Paulo, Summus, 1998, p. 57. (13) Hennezel, Marie de; Leloup, Jean-Yves, A arte de morrer: tradições religiosa e humanista diante da morte na atualidade, Rio de Janeiro, Vozes, 1999, p. 69 (14) Cf. Parkes, Colin M., Luto: estudos sobre a perda na vida adulta, São Paulo, Summus, 1998. (15) Parkes, Colin M., Luto: estudos sobre a perda na vida adulta, São Paulo, Summus, 1998, p. 69. (16) Fases trabalhadas por Bromberg, Maria Helena, Luto como crise familiar: uma abordagem terapêutica e preventiva, Tese de Doutorado em Psicologia Clinica, PUC/SP, 1992. (17) Cf. Bromberg, Maria Helena, Luto como crise familiar: uma abordagem terapêutica e preventiva, Tese de Doutorado em Psicologia Clínica, PUC/SP, 1992. (18) Parkes, Colin M., Luto: estudos sobre a perda na vida adulta, São Paulo, Summus, 1998, p. 41.

 


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