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O luto

 

Não dá para imaginar quando É cedo ou tarde demais Pra dizer adeus, pra dizer jamais. Tony Belloto e Nando Reis CD Titãs 
 
Todo aquele que perdeu alguém de quem gostava muito está de luto. Pense bem: quando você ouve que uma pessoa que você não conhecia morreu, você não se importa muito, não é? Está bem... você pode sentir pena da pessoa que está contando a história, você pode achar a morte injusta, mas não fica o tempo todo pensando no assunto, não sente uma grande tristeza, raiva ou vontade de chorar. Isso acontece porque você não tinha uma ligação afetiva com a pessoa que morreu. Você pode até ficar bastante sensível a um determinado acontecimento, como quando assiste a uma tragédia na TV, uma queda de avião, um incêndio no shopping, um assassinato perto de sua casa... Ai é doloroso não é verdade? Afinal, poderia ter sido com você. Mas quando é com alguém que era seu amigo ou amiga, um parente ou alguém de que você gostava ou admirava, como um artista ou um cantor, a situação toma outra rumo. Os sentimentos são intensos, você fica muito triste, pergunta-se sobre o que está acontecendo, não tem vontade de falar com ninguém, sente muita raiva. Os sentimentos são variados e muito fortes, nossa cabeça fica muito confusa e um montão de idéias começa a se formar dentro da gente. Isso é o que chamamos de luto. Estar de luto não é só vestir-se de preto, sair chorando... É uma série de reações, sensações e sentimentos que experimentamos depois da perda de alguém especial. 
 
Muitos estudiosos sobre o luto nos mostram que é muito comum ficarmos chocados quando perdemos alguém, que a tendência é não acreditarmos no que está acontecendo, não conseguindo aceitar o fato de que o outro está morto. Até mesmo, na fase seguinte ao choque, se você tem uma ligação muito forte com a pessoa que morreu ou tinha uma convivência muito grande, é comum pensar muito nela, vê-la nos lugares que ela costumava estar, ouvir sua voz, pensar em falar com ela, coisas assim. O hábito e o carinho fazem a gente levar mais tempo para acostumar-se com a perda. Às vezes, você até procura a pessoa falecida, como se ela ainda estivesse viva. E como a saudade é grande, todos esses sentimentos vão se misturando, se embolando, e levam um bom tempo para se acertar dentro do seu coração, até que um dia você percebe que está mais conformado. Não estou falando que você esquece daquele de quem você gostou muito, mas consegue lembrar-se dele com carinho, já entende melhor sua morte, já se sente mais conformado e sua vida parece mais normal. A saudade é um sentimento que sempre existirá: você pode “morrer” de saudade, mas logo estará “vivo” outra vez. 
 
Tudo isso acontece porque uma grande mudança começa quando perdemos alguém importante para nós. Muitas perguntas surgem: por que não aproveitamos mais a vida? Por que não falamos ou fizemos algo para o fulano antes de ele morrer? O que faremos agora sem aquela pessoa? Vamos conseguir continuar sem ele? Será que ele está em algum lugar? Por que morreu? E, são muitas as questões e, às vezes, achamos que devemos, nesse momento, tomar decisões importantes, assumir responsabilidades. Calma, devagar, é melhor começar com pequenas decisões. 
 
E tem mais uma coisa importante: o medo. Não posso deixar de falar sobre o medo ou sobre os medos. Enfrentar a morte ou a perda de alguém querido torna-nos frágeis, impotentes, e isso dá medo. Aí o que fazemos? Tentamos esconder bem esse medo, para não mostrar nossa fragilidade ou para tentarmos evitar sentir mais medo. È uma forma de assumir o controle sobre a situação, buscando sentir-se forte outra vez. Mas, quanto mais a gente tenta controlar esses medos, mais eles aparecem, geralmente disfarçados em medos mais aceitos ou sem razão aparente, como, por exemplo, medo da violência, medo de escuro, medo do fracasso, medo de doenças, etc. Por isso, vale a pena refletir um pouco sobre quais medos nos acompanham no momento. Pode ser medo da própria morte, ou medo do desconhecido, ou medo de perder outra pessoa, entre outros. 
 
Quem ainda não se perguntou de onde veio e para onde vai? Saber de onde viemos, o que acontece quando morremos, qual o sentido da vida, é o que chamamos de “questões existenciais”. Uma questão existencial é uma questão de vida, algo que está presente em todo ser, pelo menos em algum momento da vida. Falar sobre a morte e o que acontece depois dela desperta uma grande curiosidade, mas também provoca desconforto. É difícil, dá um medo. 
 
Quem espera que alguém morra? Acho que a morte não está nos planos da maioria das pessoas. Mas o fato é que ela existe e, mesmo não falando na morte, ela acontece. E, como quase ninguém gosta de falar no assunto, muitas vezes a gente se sente só quando, por algum motivo, perdemos alguém que amamos, sentimos saudades ou mesmo quando tememos a nossa própria morte. 

 


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