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Luto e melancolia

 

O luto é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante. Em algumas pessoas, as mesmas influências produzem melancolia em vez de luto; por conseguinte, suspeitamos que essas pessoas possuem uma disposição patológica. Também vale a pena notar que, embora o luto envolva graves afastamentos daquilo que constitui a atitude normal para com a vida, jamais nos ocorre considerá-lo como sendo uma condição patológica e submetê-lo a tratamento médico. Confiamos que seja superado após certo lapso de tempo, e julgamos inútil ou mesmo prejudicial qualquer interferência em relação a ele. 
 
Os traços mentais distintivos da melancolia são um desânimo profundamente penoso, a cessação de interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, a inibição de toda e qualquer atividade, e uma diminuição dos sentimentos de auto-estima a ponto de encontrar expressão em auto-recriminação e auto-rebaixamento, culminando numa expectativa delirante de punição. A perturbação da auto-estima está ausente no luto; afora isso, porém as características são as mesmas. 
 
A melancolia está de alguma forma relacionada a uma perda objetal retirada da consciência, em contraposição ao luto, no qual nada existe de inconsciente a respeito da perda. 
 
O melancólico exibe uma extraordinária diminuição de sua auto-estima, um empobrecimento de seu ego em grande escala. No luto, é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio ego. 
 
O melancólico apresenta um quadro de delírio de inferioridade, sentindo-se moralmente desprezível, repreendendo-se e rebaixando-se. Apresenta estado de insônia e muitas vezes recusa-se a comer, desapegando-se do instinto de vida. 
 
O melancólico precisa de alguém que ouça as sua variadas auto-acusações, e pode-se perceber que a maioria delas dificilmente se aplicam ao próprio paciente, mas que, com ligeiras modificações, se ajustam realmente a outrem, a alguém que o paciente ama, amou ou deveria amar. Dessa forma percebe-se que as auto-recriminações são feitas a um objeto amado, que foram deslocadas desse objeto para o ego do próprio paciente. 
 

 


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