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A família e o luto

 

A família e o luto O luto afeta a família em muitos aspectos, tais como:
Dificuldades práticas do adulto enlutado ao assumir funções do morte, às quais não estava acostumado;
Sintomas físicos, que são decorrências fisiológicas normais do enlutamento, mas que podem ser autoperpetuadas pelas preocupações do enlutado em relação à sua saúde futura;
Solidão e isolamento, frequentemente aumentados pelo embaraço e inabilidade da comunidade em mencionar a morte ou o morto; 
Ter que lidar com o luto de outros membros da família, além de seu próprio, particularmente difícil para o pai ou a mãe com filhos pequenos; 
A forte intensidade do luto às vezes acompanhado por sentimentos de pânico ou idéias suicidas;
Medo do colapso nervoso, muitas vezes referido após a experiência de ver ou ouvir o morto;
Falta de um espaço para a expressão de culpa ou raiva, uma vez que a família em sua totalidade e também em sua especificidade está enlutada e, muitas vezes, não oferece espaço para essas manifestações.
 
A morte e vida
 
Desde todos os tempos em busca da imortalidade o homem desafia e tenta vencer a morte. Nos mitos e lendas estas atitudes são simbolizadas pela morte do dragão ou dos monstros. Os heróis podem conseguir tal façanha, mas os mortais não. E o homem é um ser mortal, cuja principal característica é a consciência de sua finitude, que o diferencia dos animais.
 
Existem experiências que nos fazem pensar na morte, embora ela não tenha ocorrido, concretamente, é a chamada presença da morte na vida, trazendo inúmeros atributos a ela associados como dor, ruptura, interrupção, desconhecido, tristeza. Entre estas experiências podemos citar alguns exemplos mais claros e evidentes: separações, doenças, situações-limite com muita dor e sofrimento. Outras parecem menos evidentes porque são acompanhadas de festas, homenagens e onde a alegria parece ser o sentimento preponderante, mas, observando melhor, vê-se o espectro da “morte” – fim de uma situação ou estado: adolescência, viagens, entrada na universidade, casamento, nascimento do filho.
Tanto as experiências mais “dolorosas” como as mais “festivas” envolvem perdas, medo, tristeza, pelo que está sendo deixado, mas principalmente nas “festivas” existe o aspecto propulsor concretizado, no novo, no desconhecido. Manter-se no estado anterior, a eterna criança, o estudante perene, pode representar estagnação, e portanto, também é um tipo de morte.
Sem dúvida, isso ocorre na evolução do nosso desenvolvimento. Morremos várias vezes, mas não definitivamente e continuamos a viver com estes significados adquiridos.
 
E a morte concreta? Dela sabemos alguns fatos: que é universal, irreversível. Podemos fantasiar, temer, desejar, evitar, podemos representá-la como finitude, transição, ruptura, alívio, mistério, dor, fascínio, mas como humanos que somos, sabemos que a morte existe e este conhecimento dá um significado à nossa vida e não sabemos quando nem como ela ocorrerá...
 
Texto do livro Vida e morte: laços da existência Maria Júlia Kovács Editora Casa do Psicólogo - 1995

 


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