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A aceitação

 

A aceitação, a compreensão, a empatia
 
Existem três modos de se compreender uma pessoa e os três geralmente estão presentes numa entrevista.
1º Modo – É quando se compreende uma pessoa através das informações que recebemos. Isso ocorre freqüentemente numa entrevista, pois geralmente o assistido se refere a terceiras pessoas e que nos fazem compreender como essa pessoa é, usando porém o seu próprio quadro de referência, ou seja, ela quer que nós compreendamos essa pessoa como ele compreende. Essa compreensão sobre uma pessoa que nunca vimos, nunca ouvimos, não conhecemos, é uma compreensão remota e incerta e julgá-la como o assistido geralmente pretende, é para o tarefeiro um grande erro.
 
2º Modo – É quando se compreende uma pessoa durante a entrevista. É justamente como compreendemos o assistido, vendo-o, ouvindo-o, estudando suas reações. Embora pareça mais fácil, é uma verdadeira armadilha, pois essa compreensão depende do quadro de referências internas de cada um de nós e compreenderemos uma pessoa de forma diferente se estivermos cansados ou dispostos, tristes ou alegres. Um praticante de “surf” por mais que se esforce, dificilmente compreenderá como uma pessoa pode ficar horas quase imóvel diante de um tabuleiro de xadrez.
 
3º Modo – Esse modo de compreender uma pessoa é o mais válido e o mais difícil. Exige que se aprenda e se pratique. Trata-se de compreender com a pessoa. É diferente de compreender uma pessoa que não conhecemos, através de informações recebidas e é diferente de compreender uma pessoa que se mostra a nós, usando o nosso quadro de referências. Na verdade, não se trata de compreender a pessoa, mas sim compreender com ela todo o resto do mundo ao seu redor e usando o quadro de referência dela e não o nosso. Isso é a empatia. Empatia significa participar do mundo interior da outra pessoa, sentir como se fosse ela e permanecer você mesmo. É importante notar que devemos sentir tudo como se fosso ela e não como ela sente. O tarefeiro não pode deixar de ser ele mesmo, caso contrário, ele não estará ali, como tarefeiro, no exato momento em que o assistido precisa dele. Se isso acontecer, num dado momento, a pessoa entrevistada procura o tarefeiro e vê à sua frente alguém na mesma situação em que se encontra. Empatia não é identificação e nem simpatia. Identificar-se é querer ser, agir e sentir como a outra pessoa. Simpatia é o desejo de partilhar sentimentos e interesses comuns. Compreender com usar a empatia – é o instrumento que possibilita ao plantonista uma aceitação honesta e coerente e comunicação dessa aceitação total, sem reservas, permite à pessoa, praticar uma auto-análise e assim aceita-se também, enfim encontrar-se. 
 
A aceitação e as emoções
 
O ser humano é o animal que venceu as barreiras do instinto e as tornou o único ser capaz de raciocinar. Também é o único que experimenta as sensações mais amplamente que os outros seres vivos da Terra. Entretanto, no atual estágio de evolução, o ser humano mostra uma enorme carência de bagagem psicológica para enfrentar esse mundo maravilhoso dos sentimentos e principalmente das emoções. Ao lado da arte, da alegria e do amor, surgem manifestações como a tristeza e o ódio, desdobrando-se depois em angústia, desespero e frustrações de toda ordem, tolhendo o raciocínio e dando oportunidade ao medo e à insegurança, gerando desequilíbrios de comportamento e atitudes. O fato de não conseguir racionalizar suas emoções coloca o homem em pânico e ele se sente realmente perdido. Todos nós sentimos muitas vezes na vida a sensação de estar emocionado. Tanto faz se o motivo é alegre ou triste, conosco ou com os outros, pois uma vez emocionados, perdemos a fala, misturamos riso com lágrimas, sentimos os membros tremendo e até uma dificuldade de respirar. O ser humano envolvido emocionalmente, fica perdido e enquanto não recuperar sua capacidade de raciocínio, não dará um passo. Permitindo que ele dê vazão ao conteúdo emocional, clarificando suas vivências, compreendendo-se com ele, podemos criar condições para que ele atinja as condições de racionalizar suas emoções e assim readquirir sua capacidade de raciocinar e agir por si só, guardando em sua bagagem evolutiva, mais uma experiência no conhecimento e domínio de suas emoções. 
 
Onde começa a aceitação
 
1 – A aceitação pode ser considerada uma das nossas mais importantes ferramentas de trabalho, a viga mestra que sustenta a entrevista, a bússola que orienta os nossos passos, nossos atos, quando estamos frente a frente com o assistido. É a nossa aceitação transmitida para o assistido segundo a segundo que nos permite iniciar e concluir uma entrevista. 
 
2 – Não se deve confundir aceitação com passividade. A atitude do tarefeiro não tem nada de passiva apesar do método não-diretivo. O nosso trabalho é uma busca constante do entendimento do mundo do assistido e um esforço para encorajá-lo a descobrir como é o seu mundo e como ele se sente. É necessário manter-se interessado pelo assistido a cada instante e participar com atenção da entrevista, a cada palavra e a cada gesto. É através da aceitação que o tarefeiro vai dar condições ao assistido alcançar o equilíbrio interior que permite “ser realmente o que se é”. A aceitação age na entrevista de diversas maneiras. Manifesta-se na chegada e perdurando até a finalização desse contato com o assistido que se dá alguns minutos depois ou após muitos dias ou meses. O assistido, via de regra, se apresenta num estado em que as emoções parecem perturbar o seu raciocínio e é manifestada, acima de tudo, uma grande insegurança, ocasionando uma sensação de ameaça. Essa insegura gera um estado de não aceitação próprio, que leva o infeliz ser humano à conclusão de que ninguém o aceita e em tudo vê a ameaça, em forma de reprovação, critica ou preconceito. No instante em que o assistido tem o contato com o tarefeiro, tudo é importante para vencer essa barreira e o tarefeiro precisa manifestar a sua aceitação através da postura, da voz, do olhar, da vibração e do respeito. Caso contrário, a entrevista se encerrará, mesmo que as duas pessoas ainda se comuniquem por algum tempo. Um atendimento realizado em uma ou mais entrevistas, tem sempre fases distintas, que se alternam e se completam, mais ou menos em seqüência e durante todas elas a aceitação deve se fazer presente. Vamos apresentar essas fases numa ordem que não é necessariamente constante, mas tem uma seqüência lógica. 
A aceitação e a reflexão do conteúdo emocional A primeira entrevista de um assistido se inicia com uma alta dose de conteúdo emocional, que será manifestado, se a pessoa sentir-se em condições. O tarefeiro deve ser capaz de transmitir confiança para que o assistido se libere de seus temores, e “ponha para fora” o que lhe vai na alma, o que oprime seu coração. E com a aceitação que se consegue essa abertura e a manutenção desse clima. O desabafo sempre inicia por uma manifestação sutil do estado em que a pessoa se encontra e vai se aprofundando como se fosse necessário sentir o terreno, a confiança e principalmente a aceitação dessa sua manifestação emocional. Ele pode chorar, rir, murmurar, dizer frases desconexas, interromper bruscamente uma manifestação ou uma frase, expressar seus sentimentos mais íntimos ou comprometedores. 
A aceitação e as direções tomadas pelo assistido Nessa fase, a pessoa pode avançar um pouco e começa a tentativa de ser como realmente ela é. Parece-lhe que a situação em que ela se encontra é decorrente de ter feito algo diferente daquilo que realmente desejava fazer. A aceitação manifestada pela tarefeiro, tem aqui uma dupla função: a primeira aceitar o que a pessoa fez ou deixou de fazer algo que não devia, ou que devia ter feito. A segunda função é a de transmitir ao assistido essa aceitação, para que ele mesmo tente aceitar o que está sentindo, para depois aceitar-se como é, como gostaria de ser e assumir então a decisão de ser realmente o que ele é. A decisão tomada pela pessoa pode não ser aquele que tomaríamos, entretanto, isso não pode ser transmitido, pois o tarefeiro trabalha para que o assistido tome uma decisão por si mesmo. 
A aceitação e a clarificação das vivências emocionais Paralelamente à escolha de uma direção, o assistido passará a descrever fatos mais ou menos em seqüência, numa tentativa de explicar (sem que tenha sido conduzido a isso), o seu estado atual. Aqui, o tarefeiro não pode exigir um grande esforço. É muito fácil condenar, criticar ou corrigir quando estamos na condição de terefeiros, principalmente se estamos longe, no tempo e no espaço, do momento em que ocorreu a ação. Por outro lado, ao atingir essa fase da entrevista, o assistido está no auge da confiança depositada no tarefeiro e mostra aspectos de sua vida que nunca mostrou a ninguém e que sempre teve receio em mostrar. Pode até acontecer que, agora depois de passado o evento, a simples narração leve o próprio atendido à conclusões críticas sobre o seu comportamento impulsivo, gerando pequenas crises dentro da grande crise que ele enfrenta. Se você deu condição para que isso ocorra, ele vai sentir confiança.
 
Bibliografia 
Tornar-se Pessoa – Carl Rogers
A entrevista de ajuda – Alfred Benjamin

 


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