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Quando o desabafo é a melhor saída

 

Universidade de Brasília cria grupo de apoio a enlutados. Trabalho será baseado em troca de experiências com orientação de psicólogos 
 
A perda de pessoas próximas faz parte de processo natural da vida pelo qual todos nós teremos de passar em algum momento. Afinal, a dor e a tristeza são reações próprias da fase do luto. No entanto, superar a morte de um ente querido pode se tornar desafio maior que o esperado. No Brasil, são poucos os especialistas a quem esses familiares podem recorrer. Mas, no DF, graças à Equipe de Pesquisa e Intervenção no Luto, do Instituto de Psicologia (IP) da Universidade de Brasília (UnB), os enlutados terão apoio de profissionais voltados especificamente para o problema. Será criado o Grupo de Suporte aos Enlutados, cujas atividades começarão a partir da segunda quinzena de março, com reuniões coletivas uma vez por semana. A participação é livre e gratuita. 
 
A base de trabalho do grupo será a troca de experiências por meio de relatos entre os participantes. A coordenadora do projeto, professora Cristina Moura, explica que o desabafo diminui o impacto traumático causado pelo falecimento do próximo e ajuda o enlutado a superar a perda. O processo é chamado pelos especialistas de “elaboração do luto”. “Alguns têm a idéia de que luto é uma coisa que você senta, espera e ele passa, e na verdade, não é assim que acontece”, explica. “O enlutado acha que o problema desaparece se não lembrar. Mas ele perde a oportunidade de falar no assunto e assim, de elaborar o luto”, avalia. 
 
Falar de morte é tabu em várias sociedades. É comum o enlutado, por exemplo, ter comportamentos de isolamento e guardar para si a angústia da perda. No entanto, embora as reações sejam parecidas nessas situações, cada um lança mão de mecanismos próprios para ultrapassar o obstáculo. Um exemplo simples está na guarda de objetos pessoais do ente querido, ou o inverso: o enlutado evita ao máximo contato com qualquer recordação. “Para alguns, isso pode ajudar no início, mas para outros não. Cada um tem um tempo diferente. Mas se ele ouviu o outro contar que funcionou, pode tentar fazer o mesmo”, aponta Cristina. 
 
O limite de participantes para o grupo dos enlutados será de 15 pessoas, mas, se a demanda exceder esse número, outros grupos serão abertos. As conversas serão intermediadas por dois profissionais da universidade, que irão auxiliar, de forma coletiva, o processo de elaboração do luto. A idéia é dar suporte para que no futuro elas possam organizar outros grupos por iniciativa própria. 
 
LUTO PATOLÓGICO – Geralmente, o luto chamado patológico ou complicado não é diferente do luto normal. A diferença está nas reações, que são mais intensas e perduram por mais tempo. É esperado ficar triste por alguém, por exemplo, que faleceu há uma semana ou alguns meses. Mas, se anos se passarem e a pessoa chorar ainda compulsivamente, há fortes indícios de que o luto não foi elaborado. Relações conflituosas, de co-dependência, mortes trágicas ou inesperadas podem ser os motivadores desse tipo de luto. Para esses casos, os profissionais da UnB farão atendimento individual ou encaminharão o participante a outros especialistas, se necessário. 

 


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