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O valor do desabafo

 

Bater uma porta, brigar com familiares, chutar o cachorro, chorar, esbravejar, resmungar, lastimar-se, ranger os dentes, socar a mesa... Tudo isso são formas de desabafo.
O que é “desabafo”? Segundo o “Aurélio”, desabafar é: desagasalhar, expandir-se. Decompondo a palavra: des-abafar - tirar o que está abafando. Vamos imaginar uma panela onde esteja sendo cozido um alimento. Com a panela tampada e recebendo o estímulo do meio (o calor do fogo), o processo de fervura acentua-se cada vez mais, pressionando a tampa para fora. No entanto, enquanto a tampa permanecer, o alimento continuará cozinhando, cozinhando e demorará muito tempo para secar, ao passo que, se a tampa for retirada, este processo será muito mais rápido. O mesmo se passa conosco: quando desabafamos, expandimos nossos sentimentos, fazendo com que diminua a pressão interior, podendo assim lidar melhor com a situação.
“Eu estou com raiva! Muita raiva, que chega a me provocar uma tensão nervosa grande, a ponto de ficar com dor de cabeça, dor na nuca, no corpo todo... é um sentimento que toma conta de mim por inteiro, mas se eu posso falar disso para alguém, pesa!, é como se eu fosse me esvaziando ao poucos de tudo isso e no final, dependendo de como fluiu a conversa, vou poder até estar me sentindo mais leve...”
A colocação “dependendo de como fluiu a conversa” parece bastante significativa dentro do depoimento acima, pois indica que, para o desabafo ser eficaz, é necessário o preenchimento de algumas condições. Uma dessas condições é a confiança de quem fala em quem ouve.
Se não houver confiança, poderá haver o desabafo, mas aquele desabafo impulsivo ou então periférico, ou até aquele mais superficial ou de sondagem. Todas as formas de desabafo serão certamente valiosas, mas dependendo da postura de quem ouve, esse desabafo poderá se tornar de superficial, a profundo.
Dizemos que um dos pontos básicos para que haja um desabafo, é a confiança e talvez seja por isso que as pessoas nos procuram. Procura, alguém que não as conheça, assim poderão salvaguardar suas relações mais íntimas.
Imaginemos como deve estar uma pessoa que vem a nossa procura, à procura de alguém que sequer sabe quem é. E vem muitas vezes com o coração nas mãos, cheio de amarguras, desenganos, sofrimentos... E é esse coração que ela nos entrega, porque por alguma razão, não confiou em ninguém, ou não teve ninguém que desse valor aos seus sentimentos.
E é esse coração que nós vamos ter o cuidado de devolver, não às suas mãos, mas ao seu peito, pois quando ele passa da mão para o peito, com certeza estará mais leve, porque dividiu com alguém tudo que estava sufocando dentro dele.
 
 
Alguns pontos para reflexão
1 – Além da confiança, quais as outras condições que “facilitam” o desabafo?
2 – Como encaramos os desabafos periféricos, superficiais e de sondagem?
3 – Acreditamos ainda no valor do desabafo quando uma pessoa, após desabafar conosco, parece sentir-se “tão mal” quanto no início de nossa conversa?
4 – O que podemos melhorar em nós para estarmos cada vez mais disponíveis ao desabafo?

 


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