Textosvoltar    

O Sarcófago de vidro

 

Um certo rei do Oriente tinha uma esposa encantadora, a quem amava mais do que todas as coisas. A beleza dela iluminava a vida do soberano. Sempre que dispunha de algum tempinho, procurava a presença dela. Um dia, a rainha subitamente faleceu, deixando o rei solitário em meio a imensa tristeza. “Jamais, jamais abandonarei minha jovem e bem amada esposa”, bradou ele, “mesmo que a morte tenha roubado todo o traço de vida de sua bela figura”. Colocou sua esposa em um sarcófago de vidro no mais amplo salão do palácio e pôs sua cama Junto a ele, de forma que não ficasse separado dela nem por um minuto. Essa proximidade de sua finada esposa era seu único consolo, somente isso lhe dava paz.
Mas o verão era muito quente. Apesar de a temperatura dentro do palácio ser bastante fresca, o corpo da mulher começou a se decompor lentamente. Logo gotas de suor formaram-se sobre a nobre fronte da rainha. Sua encantadora face mudou de coloração e ficou mais inchada a cada dia que passava. Porém, em seu grande amor, o rei não percebia tais mudanças. Logo o adocicado odor da decomposição preencheu o salão inteiro e nenhum servo atrevia-se sequer a meter o nariz além da porta. O próprio rei, com o coração pesado, pegou sua cama e levou-a para o salão adjacente. Apesar de as janelas permanecerem totalmente abertas, o cheiro da transitoriedade o seguia. Nenhum atar de rosas era forte o bastante para disfarçá-lo. Finalmente, ele apanhou sua faixa verde, sinal de sua realeza, e amarrou-a sobre o nariz. Nada, porém, parecia adiantar. Todos os seus servos e amigos abandonaram-no. Os únicos que ainda lhe ofereciam companhia eram as enormes moscas negras que zumbiam ao seu redor.
Então o rei perdeu a consciência. O raquim, e médico, fez com que fosse trazido para o jardim do palácio. Quando o rei despertou, uma brisa refrescante soprava sobre ele. A fragrância das flores gentilmente despertou seus sentidos e o borbotar das fontes era como música para seus ouvidos. Era como se sua amada ainda estivesse viva. Após alguns dias, o rei outra vez encheu-se de saúde e vida. Contemplativo, mirou o centro de uma rosa e repentinamente recordou quão bela sua esposa tinha sido enquanto viva e quão mais e mais horrível seu cadáver havia se tornado ao passar dos dias. Então apanhou a rosa, colocou-a sobre o sarcófago e ordenou que enterrassem o corpo.
 
Uma história persa

 


Warning: mysql_select_db() expects parameter 2 to be resource, boolean given in /home/entesque/public_html/view/layout/home.php on line 69

Warning: mysql_fetch_object(): supplied argument is not a valid MySQL result resource in /home/entesque/public_html/config/funcoes.php on line 15

Warning: mysql_free_result() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/entesque/public_html/config/funcoes.php on line 18