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Morte e crianças

 

Entrevista de Maria Helena Franco, do Laboratório do Luto Cultura 
 
Qual a melhor maneira de falar sobre a morte? Usar as palavras morrer, morte, desde sempre, ou seja, desde criança pequenina. 
 
Se o seu peixinho morreu, deve dizer que ele morreu, não volta mais. 
 
Quando se afirma que a pessoa morreu e virou uma estrela, por exemplo, mas deve ficar claro que ela não volta, se disser que foi para o céu, igualmente, ela não volta. 
 
Uma vez foi dito por uma criança: - Eu quero ir à Casa de Deus para buscar minha mãe... Para a criança se ela foi vai voltar, voltar de uma viagem, é o pensamento mágico do mundo infantil. 
 
Mãe o papai vai voltar, você me disse que ele foi para o céu... Sim, mas não é como viagem que tem volta. 
 
Quando falar de morte deve ser enfocado três aspectos: 
 
É universal = todos morrem Tem uma causa = doença, velhice, etc... É definitiva = não é mágica, não vai “desmorrer” 
 
A partir dos 09 anos a criança entende com mais propriedade, mas sempre devemos falar sobre morrer e morte. 
 
Foi feita pesquisa sobre quando ela poderia morrer às crianças de rua e aquelas que têm lar intacto (com pai e mãe). 
 
As crianças de rua respondem que podem morrer hoje mesmo, já o grupo das outras crianças afirmaram que morreriam quando ficarem velhinhas, doentes, etc... 
 
A criança que convive com família que convive com doença deve aproveitar para explicar às crianças para que elas tenham noção da seriedade da doença e proximidade da morte. Permitir que a criança viva essa experiência, sem que se exponha demais a criança e as situações exageradas que venha expo-las a muito sofrimento. 
 
A criança que viveu a perda pode ficar agressiva, sendo este caminho um tipo de dor. 
 
As perguntas mais freqüentes que as crianças fazem quanto à morte: Ela desmorre? 
 
Para onde ela foi o corpo morto continua a funcionar, sente asfixia, porque ela vê tapar o caixão, enterrar, etc... Explicar que não sente mais dor, etc... 
 
Como ajudar a criança que perde ente querido? 
 
Voltar logo ao cotidiano da família. 
 
Não sair de sua casa, é preferível que alguém venha cuidar dela na mesma casa, assim a ajudamos a não ter outros traumas. 
 
Para explicar à criança sobre a morte, devemos nos ater às perguntas delas, não esticar o assunto. 
 
Aproveite para falar sobre morte à criança, quando surge um filme, por exemplo. Mostrar que as pessoas estão sofrendo, que choram, que querem ficar um pouco sós, enfim destacar aspectos importantes e estamos protegidos por situação que o filme enseja. 
 
Quando ocorre morte de bicho de estimação, os pais não devem correr e substituir o bicho por outro, passamos a idéia de que as pessoas são descartáveis e quando ela morrer o pai vai arranjar outro filho... Jamais dizer, ah! Era só um peixinho... Não desmerecer o significado... 
 
Certa vez uma diretora substituiu uma coelha do colégio que morreu e ainda deram o mesmo nome, é claro que as crianças perceberam a mentira do adulto... 
 
Num caso como este é preciso aproveitar a situação para explicar à criança o episódio morte. Não devemos tratar este assunto como uma batata quente, a escola joga para a família e a família devolve para a escola. Devemos ser claros e respeitosos com as crianças. 
 
Normalmente quando a criança passa pelo evento morte os adultos ao seu redor também estão passando pela dor do luto, muitas vezes a criança vê os pais chorando e ele deve falar. 
 
- Eu estou chorando, estou triste, é assim mesmo... me dê um tempo... mostrar sua dor e o processo do luto e respeitar a dor da criança também. É uma verdade dura para a criança é um acontecimento que ela deve chorar, ficar triste, é preciso dar permissão à criança para que ela chore e volte a viver bem depois... 
 
Sinais de que a criança não assimilou a perda: 
 
- quando ela faz tentativa de viver como se nada tivesse acontecido - fica agressiva - dorme mal ou não dorme - diminui atenção - fica isolada - baixa concentração e desenvolvimento na escola 
 
A criança também não gosta de ser diferente por este motivo, por exemplo, ser apontada na escola. 
 
O educador que convive com criança que teve perda não deve relevar tudo o que a criança faz... 
 
Trabalhar com a classe o assunto morte, e explicar o que o amigo está vivendo.

 


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