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Palestra com Mauro Operti

 

Oração inicial:
 
Senhor Jesus, Pai amantíssimo, agradecidos estamos pela oportunidade do aprendizado, do esclarecimento. Pedimos aos amigos do plano espiritual que envolvam a todos em paz, e dedicação ao estudo, hoje dirigido pelo Mauro Operti. Que a palestra de hoje seja, principalmente, de ações em cada dia de nossa presente encarnação. Que a eterna luz do mestre evolva em paz e harmonia ao nosso irmão Mauro Operti. Assim sendo, pedimos a autorização do Pai para o inicio dos trabalhos na noite de hoje. Que assim seja!
 
Considerações iniciais do palestrante:
 
 Mauro Operti - Para entender a atitude dos espíritos diante da perda de entes queridos, é preciso entender a visão espírita da morte. O que é a morte para o espírita? Em primeiro lugar, a destruição do corpo físico, que é um fenômeno comum a todos os seres biológicos. Além disto, a morte é um instante em meio a um caminho infinito. Em terceiro lugar, a morte é uma transição e não um ponto final. Há que se considerar também que o espírito está permanentemente em processo de crescimento e renovação e a morte é a forma de forçar esta renovação, mudando ambientes e projetos de vida. Esta visão um tanto pragmática e aparentemente fria da morte não exclui a existência de sentimentos e emoções, porque tanto quanto sentimos mais ou menos fortemente a separação geográfica entre duas pessoas e ansiamos por reencontrarmos aqueles que estão longe, assim também ansiamos por ter novamente conosco os que se foram. Mesmo na vida física há separações que são traumáticas, longas e às vezes definitivas. Na morte, então, a saudade, a vontade de ter outra vez aquele que se foi é perfeitamente natural, compreensível, mas a certeza da retomada do afeto e de projetos comuns no futuro é profundamente consoladora e faz com que a esperança possa ser tranqüila e confiante. (t)
 
Perguntas/Respostas:
 
 Moderador - Por que é tão doloroso ainda para nós o fenômeno da morte física, com a separação dos entes que amamos?
 
Mauro Operti - Exatamente porque os amamos, queremos tê-los continuamente junto a nós. Isto não precisa de explicação, é natural. Vivemos em função dos outros. Tudo o que fazemos na vida tem como referência o outro. Se o outro que amamos se vai, como não sentir? (t)
 
 Moderador - Perdi minha tia-avó há mais de um ano e até agora não sonhei com ela. Isto sinaliza que ela está bem no outro mundo?
 
 M. O. - Há muitas razões, a maior parte delas de difícil identificação para que a comunicação entre os desencarnados e os encarnados não se estabeleça. Não temos informação precisa sobre o que um espírito desencarnado está fazendo, qual a sua disposição atual, quais os seus deveres atuais, porque o modo pelo qual os espíritos vêem os problemas não é o mesmo pelo qual nós os vemos. Sendo assim, não temos como avaliar, com certeza, uma situação deste tipo. Por outro lado, as nossas atividades fora do corpo, pelo sono, nem sempre, ou quase nunca, são registradas pelo nosso cérebro físico. Muitas vezes, temos atividades durante o sono que não lembramos, mas que são registradas por outras pessoas, às vezes por mais de uma simultaneamente, o que constitui uma evidência de que realmente estávamos fora do corpo, realizando alguma tarefa. Nem sempre, como dissemos, o cérebro físico é capaz de transmitir as experiências vividas quando fora do corpo. Então não é impossível que você já tenha estado com a sua tia-avó sem que se lembre do que se passou. Será que você já não acordou alguma vez com a sensação de ter estado com a sua tia-avó, sem ter sonhado especialmente, ou com uma sensação indefinível, com uma lembrança qualquer dela? (t)
 
 É licito procurarmos o contato com entes que partiram, já que a morte não é o fim?
 
 M. O. - Perfeitamente, desde que a nossa atitude mental e as nossas emoções estejam equilibradas. Por outro lado, toda vez que tentamos o contato com o mundo espiritual, temos que ter certeza de que os meios de que dispomos (ambiente, médiuns, etc.) sejam apropriados para a nossa intenção. De qualquer modo, temos que ser prudentes quando intentamos qualquer contato com o mundo espiritual. E mesmo que a nossa intenção seja boa, ou a nossa saudade muito grande, as leis da comunicação mediúnica continuam em vigência. Mas , de qualquer modo, se a misericórdia divina nos forneceu os meios de comunicação, é perfeitamente razoável buscarmos o contato com aqueles que nós amamos. Quem não anseia uma palavra do afeto que está longe? É profundamente consoladora esta certeza.(t)
 
 Boa noite amigo Mauro. O que o amigo diria as pessoas que buscam o centro espírita com profundo desejo de receberem uma mensagem de um ente querido que já partiu ?
 
 M. O. - Em primeiro lugar, estar avisado de que este contato nem sempre é possível. Às vezes, passam-se meses ou anos antes de conseguirmos uma palavra ou uma mensagem. Nem os médiuns, nem os espíritos estão obrigados a nos dar a resposta que queremos. Se a misericórdia divina permitir, receberemos, como muitos que já receberam. As evidências para alguns de nós são numerosíssimas, como é o meu próprio caso. Eu não tenho como negar o fato da sobrevivência pelo muito que já vivenciei ou já presenciei.
 
 Qual a garantia de estarmos nos comunicando com nossos verdadeiros entes?
 
 M. O. - As evidências para a comunicação entre mortos e vivos são de dois tipos: são subjetivas ou objetivas. As evidências objetivas são confirmações externas, através de fatos objetivos que deixam motivo para muito poucas dúvidas. É claro que, como acontece com a própria pesquisa científica, sempre se pode levantar hipóteses explicativas para os fenômenos. O que se faz é levar em conta a soma de evidências que levam quase sem deixar dúvidas a se aceitar que o fenômeno foi genuíno. Mesmo na pesquisa científica, isto também acontece. Na realidade, nada é definitivamente provado em ciência. Mas , para muitas coisas, o peso das evidências a favor de uma determinada explicação é tão grande que, do ponto de vista prático, é como se estivesse provado. Assim também com os fatos mediúnicos. Mas existem também as evidências subjetivas, e essas são pessoais e intransferíveis. Eu não posso provar a uma outra pessoa que sonhei com um ente querido e que isto significa que eu realmente estive com ele, mas, interiormente, eu tenho certeza pelo realismo das cenas vividas oniricamente e por detalhes que me trazem uma certeza interior que não pode ser transferida. E quando isto acontece não me importa absolutamente o que o outro possa pensar da minha experiência. (t)
 
 Wania - Mauro, as perdas vivenciadas por qualquer encarnado (fim de relacionamentos de amizade, desafetos, decepções, etc... ), quando acompanhados de sentimento de resignação e capacidade de perdão, podem se tornar um aprendizado, um "treinamento", que nos levariam a entender melhor a "perda dos entes queridos"?
 
 M. O. - Certamente, porque é o aprendizado da renúncia, a certeza de que não somos donos de nada, nem de ninguém e que o que temos num certo momento nos pode ser tirado no outro e continuamos vivendo e continuamos lutando sempre com a visão do futuro.
 
 Canalhag - O ente desencarnado assiste ao seu velório? Assim sendo, qual sua postura diante da demonstração de dor dos entes encarnados?
 
 M. O. - Nem sempre. Vai depender do próprio espírito e da assistência por parte dos seus amigos espirituais. Às vezes, ele não tem condições emocionais e está tão desarvorado que deve ser afastado do local. Outras vezes o seu estado de perturbação é tal que ele não tem consciência do que se está passando. Mas, muitas vezes, isso é possível. 
 
 Canalhag - A vontade de ver o ente que se foi, a saudade, não "atrai" o espirito do parente querido desencarnado? Isto pode levar a uma obsessão?
 
 M. O. - Depende do estado mental e emocional que acompanha esta vontade. Também depende das condições do espírito desencarnado, mas não há perigo em pensarmos com saudade nos nossos afetos desencarnados. Isto é uma expressão do carinho e da afeição que une dois seres. Como proibir? Seria, no meu modo de ver, uma falha das Leis Divinas não deixar que nos lembremos com carinho daqueles que se foram.
 
SHIVA HAMMER - Gostaria muito de saber como é a situação de meus entes queridos, porém acho ousadia de minha parte procurar o centro para evocarem os espiritos. Como proceder? Como saber se eles estão bem, ou o melhor a fazer é ficar na dúvida?
 
 M. O. - Orar, pedir a Deus que lhe permita sentir o carinho daquele de quem você gosta, certamente, não é proibido pelas Leis Divinas. Com o tempo e a prática aprendemos a nos dirigirmos mentalmente àqueles de quem gostamos e as evidências subjetivas que colhemos desses contatos nos dão a certeza de que realmente estivemos com eles. Mas é preciso aprender a fazer as rogativas mentais com tranqüilidade, confiança e a certeza da assistência espiritual de nossos guias. Peçamos a Jesus acima de tudo e esperemos com serenidade!
 
Moderador - Raramente, mas raramente mesmo, sonho com meu pai, que ja se foi há 21 anos. Me sinto culpado!!! Culpo minha falta de mediunidade, ou seria sensibilidade. Pergunto: reforçando a pergunta do Santos: Será que meu pai já tentou se comunicar comigo, seja por sonho, ou qualquer outra forma de comunicação e por minha falta de sensibilidade não consegui a sintonia??
 
M. O. - Não é preciso ter uma sensibilidade especial para recebermos ondas mentais provenientes de qualquer fonte. Estamos permanentemente absorvendo mensagens, propositais ou não, vindas de encarnados ou de desencarnados. Como eu disse anteriormente, diagnosticarmos, com certeza, as causas da falha de comunicação é extremamente difícil, mas veja o que respondi acima em outra pergunta.
 
 Macroz - Que mensagem daria para as pessoas que perderam seus entes queridos, e acreditam que nunca mais irão encontrá-los?
 
 M. O. - Para estas pessoas eu diria que Deus não cometeria esta maldade de separar definitivamente dois seres que se amam. A essência da vida é o outro. Por que Deus juntaria num breve tempo de uma existência duas criaturas que se sentem felizes de estar juntas e depois as separaria pela eternidade? A certeza da sobrevivência que a prática espírita garante às criaturas está acompanhada da certeza da reunião daqueles que se amam depois da perda do corpo físico. Esta é a maior consolação que poderíamos desejar, mas não é só uma consolação piedosa, é uma certeza proveniente da vivência que aos poucos vai nos tornando mais seguros e menos propensos às crises de ansiedade e aflição que são tão comuns às pessoas, hoje em dia. Temos certeza e sabemos, não apenas acreditamos. 
 
Considerações finais do palestrante:
 
 M. O. - A visão espírita da morte é única e singular entre as doutrinas religiosas. É bom conhecê-la e vivê-la para ficarmos mais tranqüilos com relação ao problema da morte que é a questão mais importante da vida. 
 
Oração final:
 
Queridos amigos, vamos agradecer esses momentos que estivemos aqui juntos, aprendendo, tirando nossas dúvidas. Que nosso Pai maior ilumine a todos e nosso amigo que aqui veio trazer seus conhecimentos a nós, dando a todos a paz serenidade, aceitando que um dia todos estaremos reunidos novamente, pois tudo será uma passagem. Que Deus nos dê a luz e que possamos todos enfrentar a ida de nossos amigos e parente com calma e resignação. Que assim seja, Pai!!!
 
Matéria extraída do site 
http://www.espirito.org.br/portal/palestras/irc-espiritismo/palestras-virtuais/pv080598.html

 


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